Ronaldo Marinho

Literatura Contemporânea!

Textos

A raça dos anjos
Na noite, aos pés da ribanceira, eles me faziam cócegas. A fêmea, na planta dos meus pés, e o macho, o tal “Capiroto” nos pés de minhas costelas. Relutando eu emitia gritos e gargalhadas. Suado e com as pernas bambas, abri fuga... Perseguiram-me.

A lua oferecia indícios de trieiros e pequizeiros. Contornando o cemitério municipal, desprovido de manutenção. Ambiente utilizado pelos jovens da cidade, para acasalamentos e uso de drogas. Mentalizei o meu signo “Sagitário”. A figura materializou-se. Montei e esta levantou voo, me livrando do alcance da Maria Padilha e seu companheiro. O centauro levou-me até um abrigo. Defrontei com anjos em carne e osso. (Uns mais carnes, outros mais ossos). Senti nojo do fato de todos serem pertencentes à raça negra! Instintivamente corri a mão direita no bolso da bermuda, segurando o celular e a carteira.

Um forte aroma misto de café e torradas encheu a atmosfera. Abri os olhos às sete horas e vinte minutos. Já era para eu estar no trabalho. Liguei na empresa. Atendeu a voz bissexual sussurrante:

- Um momento... Estarei transferindo a chamada!
Ronaldo Marinho
Enviado por Ronaldo Marinho em 08/01/2019
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